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Em Águeda, animais feitos de lixo ensinam as crianças a olhar para os resíduos

MPT — Partido da Terra Junho 2026
Em Águeda, animais feitos de lixo ensinam as crianças a olhar para os resíduos

Cinco escolas do concelho ganharam esculturas de fauna local construídas com material reciclado pelos próprios alunos. Uma aposta da autarquia na arte como forma de despertar consciência ambiental.

Uma cegonha com uma asa feita de plástico. Um rato de computador transformado num roedor com orelhas de tampas de garrafa. Em Águeda, aquilo que costuma acabar no contentor ganhou outra vida — e, de caminho, uma lição.

Entre 2 e 5 de junho, cinco escolas do concelho inauguram esculturas de animais construídas inteiramente a partir de materiais reciclados. As obras nascem do projeto "O Ciclo da Economia Circular – Nada se perde, tudo se transforma", promovido pela Câmara Municipal de Águeda em parceria com a THACA – Associação Cultural e Artística, e têm uma assinatura partilhada: a de artistas profissionais e a de dezenas de alunos do 5.º ano.

Cada escola, o seu animal

A fauna autóctone serviu de inspiração, e cada estabelecimento ficou com a sua peça. A EB Fernando Caldeira acolhe uma cegonha, a EB Valongo do Vouga um esquilo, a EB Aguada de Cima uma raposa, a EB Artur Nunes Vidal uma lontra e o Instituto Duarte de Lemos um pica-pau-malhado. São cinco animais diferentes, mas todos contam a mesma história: a de que um resíduo, bem aproveitado, pode deixar de ser um problema para passar a ser um recurso.

O que torna o projeto particular não é só o resultado, mas o percurso. Os alunos não se limitaram a ver as esculturas montadas — andaram com elas desde o início, na recolha dos materiais, na escolha das formas e na instalação final.

Mais do que execução, foi imaginação

Quem acompanhou os trabalhos de montagem, na semana passada, foi o Vice-Presidente da autarquia, Edson Santos, ao lado dos artistas João Dias e Ana Sofia Pereira. O entusiasmo das crianças, garante, foi o melhor sinal de que a estratégia funciona.

"Através da arte queremos mudar comportamentos. Ao juntar a criatividade com a reutilização de resíduos, conseguimos transmitir mensagens ambientais de forma mais eficaz junto dos mais novos", afirmou.

E imaginação não faltou. Enquanto montavam as peças, os mais novos sugeriam acrescentos — uma cauda aqui, umas peças que juntas pareciam uma abelha ali — sempre com a ajuda dos artistas para dar forma às ideias. Os sorrisos, esses, eram quase tantos quantos os materiais espalhados pelas mesas.

Um caminho que se vai fazendo

O projeto não surge isolado. Insere-se nas políticas municipais de ambiente e sustentabilidade e articula-se com o programa Eco-Escolas, dando continuidade a uma aposta que o município tem vindo a reforçar: usar a arte como porta de entrada para temas ambientais.

Para Edson Santos, o terreno está cada vez mais preparado. As escolas, diz, já estão familiarizadas com estas matérias, os professores envolvidos e os alunos motivados para abraçar iniciativas que cruzam criatividade e ecologia.

As esculturas ficam agora a fazer parte do dia a dia das escolas. Mais do que decoração, passam a ser um lembrete permanente — e feito pelas próprias mãos dos alunos — de que cuidar do ambiente também pode começar por aquilo que decidimos deitar fora.

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MPT — Partido da Terra
Publicado em Junho 2026